A História do Reino de Israel: Por Que Israel do Norte e Judá do Sul Pereceram?

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A história do reino de Israel está escrita em detalhes no Antigo Testamento. A história do reino de Israel começou quando Saul se tornou o primeiro rei no século XI a.C. O reino durou cerca de quinhentos anos até o século VI a.C., quando Judá do sul foi destruído. Este período ocupa grande parte da história da obra redentora de Deus, já que 241 dos 39 livros do Antigo Testamento foram escritos nesse período.

  1. Livros históricos (1 e 2 Samuel, 1 e 2 Reis, 1 e 2 Crônicas), livros poéticos (Salmos, Provérbios, Eclesiastes, Cântico dos Cânticos) e livros proféticos (Isaías, Jeremias, Lamentações, Ezequiel, Daniel, Oseias, Joel, Amós, Obadias, Jonas, Miqueias, Naum, Habacuque, Sofonias).

Início da Época do Reino de Israel

Nos últimos dias de Samuel, o último juiz, os israelitas, que se estabeleceram e viveram em Canaã, pediram um rei que assumisse a liderança contra as repetidas invasões dos gentios. Foi Deus quem tirou Israel do Egito e os governou, mas o povo não percebeu esse fato e queria que um homem fosse rei sobre eles, assim como em outras nações. Samuel não ficou satisfeito com o pedido deles, e Deus deu-lhes um aviso severo sobre a forma como um rei os governaria. Apesar desta advertência, os israelitas persistiram em pedir a Deus um rei, e Deus finalmente o concedeu. Desta forma, o primeiro rei foi estabelecido: Saul.

Na lei (Pentateuco de Moisés), que Deus concedeu através de Moisés, estava escrito como os reis, que apareceriam no futuro, deveriam governar o povo, e o que Deus queria que eles fizessem (Dt. 17:14-20). Qualquer um que se tornasse rei deveria carregar uma cópia da lei, aprender a reverenciar a Deus e seguir cuidadosamente todos os seus decretos (Dt. 17:18-19). Deus disse que a ascensão e a queda do reino seriam determinadas pela obediência ou não aos seus mandamentos (Dt. 28:1-68). Esta advertência se cumpriu ao longo da história de Israel.

Davi e Salomão

Davi, o segundo rei de Israel, liderou a ascensão do reino. Ele era quase o rei ideal que Deus desejava. Deus o reconheceu e o chamou de “um homem segundo o meu coração”. Davi considerou os mandamentos de Deus mais preciosos do que o ouro puro durante toda a sua vida (At. 13:22, Sl. 19:7-10, 119:127). Já que a Bíblia diz que a obediência a Deus traz todas as bênçãos, ele obteve grande sucesso por guardar os mandamentos de Deus de todo o coração.

Davi, que sabia disso melhor do que ninguém, deixou sua vontade para seu sucessor, Salomão, de que guardasse os mandamentos de Deus e se tornasse um grande líder (1Rs. 2:1-3, 1Cr. 22:12-13). De acordo com o testamento deixado por Davi, os reis de Israel que apareceram depois dele foram abençoados quando guardaram os mandamentos de Deus e sofreram ataques de forças estrangeiras quando violaram os mandamentos de Deus e obedeceram aos decretos de outros deuses.

Sendo sucessor de Davi como o terceiro rei de Israel, Salomão ofereceu mil holocaustos e pediu a bênção de Deus. Deus apareceu a ele em um sonho e lhe deu sabedoria, riquezas e honra, dizendo: “Se guardares os meus estatutos e os meus mandamentos, como Davi fez, prolongarei os teus dias” (1Rs. 3:14).

Salomão construiu o templo de Jerusalém e, no dia da dedicação do templo, como representante do povo, declarou que todo o Israel guardaria os mandamentos, estatutos e decretos de Deus (1Rs. 8:58, 61). A partir de então, eles guardaram sagradamente as festas solenes e os mandamentos de Deus no templo (2Cr. 8:12-13) e, como resultado, desfrutaram de grande riqueza e honra, como Deus havia dito (1Rs. 10:21-23).

A Idolatria de Salomão Ocasiona a Divisão do Reino

No final do seu reinado, Salomão perdeu o amor por Deus e gradualmente tornou-se corrupto. Teve mil esposas e concubinas em um esforço para manter estrategicamente uma relação estável com os países vizinhos. À medida que Salomão envelheceu, essas mulheres o fizeram buscar outros deuses. Salomão construiu vários lugares altos para adorar ídolos, como Quemos, Milcom e Astarote (1Rs. 11:1-8). Esta foi uma rebelião contra o mandamento de Deus de não adorar outros deuses ou fazer ídolos. Deus apareceu a Salomão duas vezes e advertiu-o para não seguir outros deuses, mas Salomão não conseguiu voltar seu coração para Deus facilmente. Quando o rei se afastou de Deus, as nações vizinhas começaram a odiar e se opor a Israel.

Deus ficou furioso com a desobediência de Salomão, mas prometeu que, por amor a Davi, não tiraria Israel das mãos de Salomão durante sua vida (1Rs. 11:9-13). Em cumprimento ao que Deus havia dito, Israel foi dividido em dois reinos após a morte de Salomão: Israel do norte e Judá do sul, e se tornou fraco. Nunca mais poderia ser restaurado como um país poderoso, como foi no tempo de Davi ou de Salomão.

História de Israel do Norte

Um país cheio de idolatria e pecado

Israel do norte (975-721 a.C.) durou aproximadamente 250 anos desde o primeiro rei Jeroboão até o último rei Oseias, até ser destruído pela Assíria. Houve um total de dezenove reis durante esse período. Todos os reis de Israel do norte cometeram pecados, abandonaram os mandamentos de Deus e adoraram ídolos. Nenhum dos reis foi elogiado por guardar os mandamentos de Deus como Davi foi. Na Bíblia está escrito que Jeú, o décimo rei, agiu bem ao fazer o que era certo. Contudo, isso aconteceu apenas porque ele obedeceu à ordem de Deus de destruir a casa de Acabe. Jeú, como todos os outros reis de Israel ao norte, não guardou os outros mandamentos de Deus e adorou ídolos.

A idolatria de Israel do norte começou na época de Jeroboão. Ele estava preocupado porque o povo viajava para Jerusalém, em Judá, e ofereciam sacrifícios nas festas solenes, de acordo com a lei. Ele se preocupava com a possibilidade de o povo oferecer sua lealdade ao rei de Judá do sul. Jeroboão pensou em erguer altares em lugares que Deus não escolheu. Ele também nomeou pessoas comuns que Deus não aprovou como sacerdotes. E ainda instituiu uma festa em uma data de sua escolha e adorou bezerros de ouro que ele mesmo criou (1Rs. 12:25-33). Todos os reis que apareceram depois de Jeroboão o seguiram em seus passos de idolatria, o que a Bíblia chama de “o caminho de Jeroboão” e “os pecados de Jeroboão” (1Rs. 16:19, 2Rs. 10:29).

Houve sofrimento constante em Israel do norte, como resultado da rejeição aos mandamentos de Deus desde o início. Houve muitos momentos de rebelião onde algum rebelde assassinou o rei e tomou o seu trono. Alguns reis foram amaldiçoados e adoeceram, e o país foi invadido por forças estrangeiras. Contudo, os reis de Israel do norte só estavam interessados em consolidar e manter tanto poder quanto possível. Eles não tinham interesse em adorar a Deus ou em guardar seus mandamentos. Eles até usaram a idolatria como meio de fortalecer seu poder.

Todos os reis de Israel do norte cometeram o mal, mas Acabe, o sétimo rei entre eles, foi ainda pior do que qualquer um dos anteriores. Acabe comprou a ira de Deus ao se casar com Jezabel, a princesa dos sidônios, e erguer um altar para adorar ídolos (1Rs. 16:30-32). Jezabel, adoradora de Baal e do poste-ídolo, tornou-se rainha de Israel do norte e exortou Acabe e os israelitas a adorarem ídolos também. Acabe e Jezabel levaram o povo a aumentar o seu pecado adorando os ídolos das nações gentias, além do pecado maligno de servir ao bezerro de ouro feito por Jeroboão. Jezabel não só matou os profetas de Deus, mas também tentou matar Elias, sem se arrepender do seu pecado, embora lhe tenha sido revelado no monte Carmelo que o SENHOR, Deus Jeová, era o único Deus verdadeiro. Nem sequer hesitou em cometer o ato maligno de acusar falsamente as pessoas que tentavam seguir corretamente a vontade de Deus, matando-as e depois tomando todas as suas propriedades.

Mais tarde, o rei Acabe foi a um campo de batalha, onde foi atingido por uma flecha e morreu. Os homens de Acabe lavaram sua carruagem manchada de sangue num lago em Samaria, onde cães vieram e lamberam seu sangue. Pouco depois, Jezabel também teve seu terrível fim ao ser atirada de uma janela e ser completamente pisoteada, a ponto de seu corpo se tornar irreconhecível e não poder ser encontrado. Desta forma, cumpriu-se a palavra que Deus havia falado por meio do profeta Elias (1Rs. 21:20-24).

A queda de Israel do norte

Israel do norte, que não obedecia à lei de Deus, enfraqueceu gradualmente ao longo do tempo. Contudo, eles não se arrependeram e Deus puniu Israel através da Assíria.

À medida que Israel declinava, a mensagem de salvação chegou de Judá do sul. Ezequias, rei de Judá, enviou mensageiros por todo o Israel, instando todos a se voltarem para Deus e celebrarem a Páscoa, que há muito não era celebrada. Contudo, a maioria dos israelitas do norte desprezaram os correios e a sua mensagem e zombaram deles (2Cr. 30:1-10).

Israel recusou-se a aceitar a mão que Deus lhe estendeu, o que acabou por levar à sua destruição pela invasão da Assíria. As forças assírias cercaram Samaria, capital de Israel, durante três anos, até capturá-la completamente por volta de 721 a.C. (2Rs. 18:9-12). Consequentemente, Israel do norte desapareceu da história e apenas Judá do sul sobreviveu.

História de Judá do Sul

Um país de bênçãos e maldições contínuas

Judá do sul (975-586 a.C.) durou cerca de 390 anos, desde quando Roboão, filho de Salomão, sentou-se no trono até que a Babilônia o destruiu na época de Zedequias, e houve um total de vinte reis. Entre eles, houve apenas quatro reis que foram reconhecidos por Deus por terem “feito o que era certo como Davi havia feito” e “andado nos caminhos que Davi havia seguido”. Eles foram Asa, Josafá, Ezequias e Josias. Esses reis guardaram os mandamentos e decretos de Deus assim como Davi havia feito, e Deus protegeu Judá durante o reinado deles (1Rs. 15:11; 2Cr. 17:3; 2Rs. 18:3-6, 22:2).

Asa, o terceiro rei de Judá do sul, seguiu os decretos e leis de Deus ao proibir a idolatria, que dominava Judá na época. Deus deu paz a Asa e lhe concedeu a vitória na guerra quando um exército etíope de um milhão de homens atacou Judá (2Cr. 14:9-15).

Josafá, o quarto rei, compreendeu através do exemplo de seu pai que só poderia ser abençoado se obedecesse totalmente a Deus. Desta forma, ele guardou os decretos e as leis de Deus ao proibir estritamente a idolatria (2Cr. 17:3-9). Quando as forças aliadas dos homens de Amom, Moabe e do monte Seir travaram guerra contra Judá, o rei Josafá foi abençoado por vencer a guerra facilmente com a ajuda de Deus e voltar para casa com muitos despojos (2Cr. 20:1-30).

Ezequias, o décimo terceiro rei, agradou a Deus celebrando a Páscoa, que há muito não era celebrada, e destruindo os ídolos. Como resultado, ele foi capaz de defender o seu reino através da proteção de Deus no meio de uma crise nacional quando a Assíria, a nação poderosa que destruiu Israel do norte, atacou Judá do sul para conquistá-lo (2Rs. 19:30-35).

Josias, o décimo sexto rei, também recebeu o glorioso testemunho de ser elogiado por Deus por celebrar a Páscoa: “Antes de Josias, não houve rei que guardasse a lei de todo o seu coração, e de toda a sua alma, e de todas as suas forças” (2Rs. 23:23-25).

Contudo, os demais reis de Judá não serviram a Deus corretamente, mas se afastaram dos mandamentos de Deus e caíram na idolatria, colocando o reino em perigo. O rei Acaz fez ídolos fundidos aos baalins e até sacrificou seus filhos no fogo do vale de Hinom. Finalmente, várias nações, como os arameus, os israelitas do norte, os edomitas e os filisteus, atacaram Judá. Eles mataram muitas pessoas, fizeram prisioneiros e levaram muitos despojos depois de conquistarem completamente a cidade. Após a sua morte, Acaz nem sequer foi colocado nos túmulos dos reis que o precederam (2Cr. 28:1-27).

O rei Manassés, filho do rei Ezequias, reconstruiu os altos que seu pai havia demolido e ergueu altares de adoração aos baalins. Ele mesmo fez ídolos e os edificou no templo de Deus para adorá-los, e também sacrificou seus filhos no fogo do vale de Hinom. Deus, que ficou irado, levou o exército assírio à guerra contra Judá ao sul. O rei Manassés foi capturado e levado para a Babilônia, onde finalmente se arrependeu apenas por causa de sua angústia (2Cr. 33:1-20).

As bênçãos e maldições de Deus foram repetidas na história de Judá do sul. Cada vez que o rei e o povo se afastavam de Deus e adoravam ídolos, sofriam dor e agonia constantes, incluindo invasões de forças estrangeiras. Contudo, sempre que seguiam os decretos e mandamentos de Deus, Deus os protegeu e os abençoou. Muitos dos reis de Judá não compreenderam isso, mas repetiram a prática tola da idolatria e foram amaldiçoados.

A queda de Judá do sul

O último rei, Zedequias, também cometeu o pecado maligno da idolatria. Os sacerdotes e o povo de Judá seguiram a prática do rei Zedequias de adorar ídolos. Deus constantemente enviava profetas para alertá-los, mas eles ignoravam os avisos. Enfim, quando a Babilônia invadiu Judá, o rei Zedequias teve de assistir os babilônios matarem seus filhos e, após ter seus olhos arrancados, foi preso com cadeias de bronze e levado cativo para a Babilônia. O templo de Deus e todos os edifícios de Judá foram totalmente queimados. O povo de Judá foi morto ou levado como escravo para a Babilônia, e todos os seus bens foram saqueados (2Rs. 25:7-17). Judá, que abandonou Deus, enfrentou este fim miserável por volta de 586 a.C.

Deus disse que a razão para a terrível destruição de Judá foi que o povo não obedeceu aos seus decretos e leis (Jr. 16:10-11, 44:23). Deus enviou seus profetas ao povo que o havia abandonado e os fez declarar a destruição iminente de Judá, dando ao povo a oportunidade de se arrepender; mas eles não obedeceram às palavras de Deus e recusaram-se a ouvir. No final das contas, eles perderam a oportunidade de receber a salvação e foram destruídos. Judá seguiu o mesmo caminho de Israel do norte, que foi destruído por desobedecer à lei de Deus.

A ascensão e queda de indivíduos e nações na história de Israel nos tempos do Antigo Testamento fazem com que o povo de Deus que vive nos tempos do Novo Testamento compreenda quão rigorosos e preciosos são os mandamentos de Deus. Também nos ensina que só podemos receber a bênção de Deus quando fazemos a sua vontade de todo o coração, como Davi, e quando guardamos os seus mandamentos e leis.

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